Método de Ensino

Durante o último século, houve um grande interesse no ensino de segundas línguas. Com o advento da internet e da globalização, as distancias encurtaram e hoje caminhamos cada vez mais para uma aldeia global. Isso gerou uma grande necessidade de se comunicar com pessoas de diversos países e de uma maneira eficiente. Nesse novo cenário global, o inglês acabou por se tornar a “língua universal”. Exatamente por isso o ensino de idiomas ganhou proeminência como um campo de estudo e investimento.


Communicative Language Teaching (CLT)

Com objetivo de otimizar o aprendizado, diversas metodologias surgiram que sempre prometem fornecer o melhor, mais rápido e mais eficiente maneira de aprender um idioma. Alguns desses métodos são fortemente baseados em pesquisas e teorias sobre linguagem e aprendizado. Por outro lado, outras são baseadas em “achismos” e não em evidencias empíricas que comprovem sua eficiência.

Justamente por isso, muitos alunos se sentem perdidos em como aprender um novo idioma. Que escola escolher? Qual método funciona? Infelizmente, não há uma resposta fácil para essa pergunta. A verdade é que vários métodos podem oferecer bons resultados e ao mesmo tempo tem suas limitações. Como então definir o que é um bom curso de idiomas? Para responder essa pergunta primeiro temos que definir o que é um idioma.

O que é idioma ?

Diferentes abordagens, ou filosofias existem para responder a essa pergunta. Alguns especialistas dirão que uma língua é um reflexo das propriedades da mente (Cognitive view); outros dirão que é um sistema de estruturas que codificam significados (Structural view); também é um veículo para a expressão de funções comunicativas tais como concordar, expressar opiniões, responder (Functional view); Também há os que a definem como veículo para relações interpessoais (Interactional model) ou como um modelo sociocultural que reflete a cultura, costumes e crenças de um grupo de pessoas(Sociocultural model) e assim por diante. E você, leitor? Talvez ao ver tantas definições você concorde comigo que um idioma não é uma dessas definições - mas todas elas juntas.

Metodologias normalmente são baseadas fortemente em uma dessas visões de idiomas e por isso, podem ser extremamente diferentes umas das outras. E daí vem as limitações. Por exemplo, se vejo um língua como somente um conjunto de estruturas e foco o ensino nessa base – ensinar as estruturas, é altamente provável que meus alunos terão dificuldade de saber como usar as estruturas (em qual função comunicativa elas se aplicam). Qual é nossa conclusão? Quanto mais holística ou completa é a visão de idioma, maiores serão as chances de se desenvolverem métodos ou práticas que sejam efetivas. Nesse momento entramos no que é hoje conhecido como Abordagem Comunicativa.


Communicative Language Teaching (CLT)

Como o nome deixa claro, Communicative Approach não é um método e sim uma abordagem. O que isso quer dizer? Que não há um conjunto fixo de atividades e práticas que a defina, porém podem ser utilizado vários tipos de atividades e procedimentos para o ensino desde que sejam compatíveis com a visão linguística. No campo de teoria linguística é muito rico e eclético. Seguem algumas características:

  1. Um idioma é um sistema para expressão de significados;
  2. A função primária de um idioma é permitir a interação e comunicação;
  3. A estrutura de um idioma reflete duas funções e usos comunicativos;
  4. Competência comunicativa envolve saber usar a língua para diversos objetivos e funções em diferentes dimensões tais como: variar o uso do idioma de acordo com a situação e o ouvinte ( uso formal ou informal etc); saber como produzir e entender diferentes tipos de textos; saber manter a comunicação apesar de limitações do conhecimento linguístico;
Grammatical competence: pode ser definida como o desenvolvimento da estrutura linguística e de vocabulário;
Sociolinguistic competence: refere-se a compreensão do contexto, relacionamentos e informações trocadas entre os participantes. Ou seja, o objetivo comunicativo.
Discourse competence: Está relacionado a interpretação de elementos individuais da mensagem e sua correlação para formar um discurso ou texto;
Strategic competence: envolve as estratégias utilizadas para iniciar, terminar, manter, reparar ou redirecionar a comunicação;

Ao analisar os princípios que compõem a Communicative Approach, fica evidente que representa uma visão mais completa do idioma e por isso oferece mais ferramentas que podem alcançar melhores resultados.;

O objetivo é ajudar os alunos a serem capazes de se comunicar e se fazer entender em diversas situações e contextos. É trabalhar muito mais do que só verbos e vocabulário, mas desenvolver habilidades e competências que permitirão que o aluno seja independente e capaz de sobreviver numa aldeia global.

Para ilustrar: imagine que pegou uma receita para preparar um bolo. Porém, a receita só contêm os ingredientes e suas quantidades. Embora seja possível fazer esse bolo, isso pouco te ajudaria a aprender como fazer bolos. Agora pense numa receita que não só contêm os ingredientes mas também como fazer e ela também te ajuda a entender como calcular a proporção de ingredientes secos e líquidos para fazer um bom bolo. A segunda receita com certeza que será muito mais útil já que pode usá-la como base para criar suas próprias receitas no futuro. OS princípios da Communicative Approach são como essa segunda receita -  tem como objetivo não só te ensinar a falar inglês mas ser capaz de ir muito além: se tornar um comunicador competente.


Reference: Rogers, Theodore S. and Richards, Jack C. Approaches and Methods in Language Teaching. Cambridge University Press. 2014 Chapters 2 and 5

Last modified: Wednesday, 8 November 2017, 2:03 PM